Li recentemente uma mensagem do Pe. Fábio de Melo sobre o amor fraterno.
Ele escreveu sobre a transição (morte) de uma irmã sua, a mais nova, e ponderava como de repente ele não veria mais uma pessoa tão jovem. Explicou que dias antes da transição, ele falou com ela ao telefone, mas às pressas, porque tinha um compromisso daqueles que não podem esperar. E como quase todos nós fazemos, deu mais importância ao seu próprio compromisso do que à necessidade de escutar sua irmã. Talvez ele tenha pensado: “outra hora dou-lhe a atenção merecida... mais tarde converso com ela”.
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Cabe questionar: e se não houver outra hora? E se não houver mais tarde? Fábio afirma em sua narrativa: “se eu soubesse que seria a última vez que falaria com minha irmã, certamente diria palavras carinhosas, confortadoras e atenciosas... mas as coisas nos puxam e nós nos envolvemos sem nos dar conta das pessoas que estão à nossa volta. Quantas pessoas que estão em contato conosco ou mesmo distantes, mas que têm uma relação conosco, e nós nem pensamos que elas poderão não estar presentes no próximo Natal.” E pergunta: “por que valorizamos as pessoas apenas quando as perdemos, quando morrem?”
Martin Heidegger, filósofo alemão do século passado, nos fala que quando nascemos, nos dirigimos para o nosso ápice, que é ao mesmo tempo o nosso fim. É o que ele chama de “ser para a morte”. Sob uma ótica existencialista, no ato do nascimento começa a caminhada para o omega da vida. Daí a assertiva: “viver é envelhecer”. Se isto é certo, o mais importante é viver, e sobretudo como vivemos o agora, e com qual qualidade de vida vivemos. Nesta perspectiva, o meio da caminhada passa a ser tão ou mais importante que o fim. E para o meio valer a pena, deve ser vivido com as pessoas, deve ser vivido bem com elas. Uma regra que aprendi com a minha querida sóror Helena Strongov é: “primeiro as pessoas, depois as coisas!” Boa Reflexão! Hélio de Moraes e Marques Grande Mestre | |
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
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